Lógica do Sentido
Primeira série
de paradoxos: Do puro devir
O devir é um tornar-se simultaneamente o passado e o presente. O que eu
era e o que agora sou encontram-se em meu sangue. Não há uma ruptura. Um
acontecimento puxa o outro. O paradoxo do devir é juntar o acontecimento do
passado com um acontecimento do futuro em um determinado local do tempo – o presente.
O simulacro como um puro devir. Como
aquele que contesta tanto o modelo como a cópia. O simulacro é um puro devir,
pois dá um toque do passado e do futuro ao presente, ou seja, diferente de um
modelo e de uma cópia, ambos estão determinados, que consistem em, no primeiro
caso, seguir a si mesmo – padrão –, no segundo caso, seguir esse padrão; o
simulacro “coloca-se” uma personalidade ao copiar o modelo para criar algo legítimo.
O simulacro como uma rota de fuga, como aquilo que é capaz de criar espantos.
O paradoxo do devir é uma identidade
infinita, ou seja, inúmeras possibilidades. Com um devir louco o presente, por
exemplo, pode escapar da moldura da história. O acontecimento de um devir que
ocorre em nossas vidas será sempre uma provação por não seguir uma lógica
determinada, ou seja, o que esperamos que aconteça não acontece. Com isso desmascara
toda a nossa estrutura, sempre nos inovando aos acontecimentos que pode chegar
a um último estágio: desmistificação do eu.
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