terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A República Livro I: Por uma justiça reflexiva

A diferença entre a justiça e a injustiça é a linha tênue entre “parecer” e “ser”. A Justiça, para Platão, não é normativa, mas reflexiva. A justiça normativa impõe que as leis devem ser seguidas a partir de seus estabelecimentos. Platão reconhece que os governantes possam errar na formulação das leis – erram justamente por não serem adaptos, nesse caso seriam os filósofos, mas não entrarei ainda nessa questão para poder pensar a política de Platão contemporaneamente –; se a justiça for normativa logo, então, devemos obedecer e cumprir uma lei que não é certa e pode prejudicar as pessoas, a comunidade, a cidade, o país. Cumprir uma lei que não foi formulada corretamente, e pressupondo que o cumprimento da lei é onde cabe a justiça, é parecer justo, mas, de fato, não o é. O que é realmente justo é aquele que reflete, o que tem sabedoria, pois quem segue a lei sem refletir, ou segue qualquer outra coisa, está próximo da ignorância. Refletindo podemos pensar as leis, a justiça da melhor forma possível. Quantas pessoas não dizem simplesmente: temos que seguir a lei. Platão buscava um ideal da justiça que servisse para todos, mas creio que não é possível por inúmeros povos com seus costumes, logo com sua própria concepção de justiça que nos fazem justamente refletir a nossa concepção de justiça. Tenho a impressão que Platão nos deixou uma dica importante: não devemos aceitar, sem antes passar por nossos crivos, tudo o que é aprovado por nossos governantes, mesmo que estes defendam a mesma bandeira. Refletir para não alienar?

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