A diferença entre a justiça e a injustiça é a linha tênue entre “parecer”
e “ser”. A Justiça, para Platão, não é normativa, mas reflexiva. A justiça
normativa impõe que as leis devem ser seguidas a partir de seus estabelecimentos.
Platão reconhece que os governantes possam errar na formulação das leis – erram
justamente por não serem adaptos, nesse caso seriam os filósofos, mas não
entrarei ainda nessa questão para poder pensar a política de Platão
contemporaneamente –; se a justiça for normativa logo, então, devemos obedecer
e cumprir uma lei que não é certa e pode prejudicar as pessoas, a comunidade, a
cidade, o país. Cumprir uma lei que não foi formulada corretamente, e pressupondo
que o cumprimento da lei é onde cabe a justiça, é parecer justo, mas, de fato,
não o é. O que é realmente justo é aquele que reflete, o que tem sabedoria,
pois quem segue a lei sem refletir, ou segue qualquer outra coisa, está próximo
da ignorância. Refletindo podemos pensar as leis, a justiça da melhor forma
possível. Quantas pessoas não dizem simplesmente: temos que seguir a lei. Platão
buscava um ideal da justiça que servisse para todos, mas creio que não é possível
por inúmeros povos com seus costumes, logo com sua própria concepção de justiça
que nos fazem justamente refletir a nossa concepção de justiça. Tenho a impressão
que Platão nos deixou uma dica importante: não devemos aceitar, sem antes
passar por nossos crivos, tudo o que é aprovado por nossos governantes, mesmo
que estes defendam a mesma bandeira. Refletir para não alienar?
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