Para os Estóicos
há duas espécies de coisas: primeiramente os corpos com suas tensões, suas
qualidades físicas, suas relações, suas ações e paixões e os estados de coisas
correspondentes. E num corpo como em outros há uma unidade que os interligam e
os desenvolvem segundo um determinado presente – unidade esta chamada de fogo
primordial que pode ser definido como efeitos, acontecimentos que possibilitam
as causas entre os corpos. Se for no presente que vivemos ao ocupamos um
determinado espaço, se é na natureza que nos desenvolvemos, não há causas e
efeitos nos corpos, somos todos causas de uns e de outros. Viver o presente significa
medir a ação do agente e a paixão do paciente. A outra espécie de coisas, para
os estóicos, são os efeitos incorporais. Estes podem ser atributos lógicos ou
dialéticos e não qualidades ou propriedades física, são acontecimentos e não
estados de coisas ou coisas, não são adjetivos ou substantivos, são verbos, são
resultados de paixões e ações, não agentes e pacientes, não são presentes
vivos, mas infinitos, pois são devires que divide o infinito em passado e
futuro. Esses efeitos são acontecimentos (destes se criam uma estado de coisas)
e são as provas que o passado e o futuro sempre dialogam-se para fazer o
presente e o corpo. Oras, são esses efeitos que misturam os corpos e escolhe
uma máscara, entre infinitas, para o presente. Se os corpos são causas de uns e
de outros, são os efeitos que proporcionam essas causas como se guiassem, no subterrâneo,
as causas. O passado, o futuro e os efeitos produzem o presente, por isso mesmo
este é momentâneo.
Os Estóicos desmembraram a relação
casual (causas e efeitos) em dois grupos: as causas as causas (o destino); e
aos efeitos e efeitos (o enlaçamento). Esse desmembramento ocorre na distinção
de dois caminhos: os efeitos não são causas de outros efeitos (Deleuze diz no máximo
que são “quase-causas”), pois os efeitos dependem de um contexto (unidade
relativa ou uma misturas dos corpos) tanto quanto de suas causas reais. Ao fugir
dessa relação infinita: causa-efeito (causa) – efeito (causa) – etc... salvaguarda
a liberdade, justamente quando coloca na fórmula o contexto evitando, assim, uma predeterminação ou um primeiro princípio,
por exemplo. Por isso os Estóicos podem distinguir conceitualmente destino e
necessidade. Essa distinção não será uma ruptura, caminharão juntas. Ao colocar
o contexto nessa equação, sendo um fator inderteminante, produzirá um
devir-louco, um devir ilimitado.
Por último, o que é o verbo? É
aquele que traduz esses acontecimentos incorporais, pois estes não atributos do
ser, ou seja, uma ação Sendo um verbo é a linguagem que o controla,
consequentemente, coloca limite nesses acontecimentos, porém é ela também que
vai além desse limite ao prever o que acontecerá quando estamos situados no
limite. A linguagem e o devir coexistem, pois a linguagem consegue compreender
e ir além do limite. A superfície como limite.
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