quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Lógica do Sentido - Segunda Série de Paradoxos: Dos efeitos de superfícies

        Para os Estóicos há duas espécies de coisas: primeiramente os corpos com suas tensões, suas qualidades físicas, suas relações, suas ações e paixões e os estados de coisas correspondentes. E num corpo como em outros há uma unidade que os interligam e os desenvolvem segundo um determinado presente – unidade esta chamada de fogo primordial que pode ser definido como efeitos, acontecimentos que possibilitam as causas entre os corpos. Se for no presente que vivemos ao ocupamos um determinado espaço, se é na natureza que nos desenvolvemos, não há causas e efeitos nos corpos, somos todos causas de uns e de outros. Viver o presente significa medir a ação do agente e a paixão do paciente. A outra espécie de coisas, para os estóicos, são os efeitos incorporais. Estes podem ser atributos lógicos ou dialéticos e não qualidades ou propriedades física, são acontecimentos e não estados de coisas ou coisas, não são adjetivos ou substantivos, são verbos, são resultados de paixões e ações, não agentes e pacientes, não são presentes vivos, mas infinitos, pois são devires que divide o infinito em passado e futuro. Esses efeitos são acontecimentos (destes se criam uma estado de coisas) e são as provas que o passado e o futuro sempre dialogam-se para fazer o presente e o corpo. Oras, são esses efeitos que misturam os corpos e escolhe uma máscara, entre infinitas, para o presente. Se os corpos são causas de uns e de outros, são os efeitos que proporcionam essas causas como se guiassem, no subterrâneo, as causas. O passado, o futuro e os efeitos produzem o presente, por isso mesmo este é momentâneo.
            Os Estóicos desmembraram a relação casual (causas e efeitos) em dois grupos: as causas as causas (o destino); e aos efeitos e efeitos (o enlaçamento). Esse desmembramento ocorre na distinção de dois caminhos: os efeitos não são causas de outros efeitos (Deleuze diz no máximo que são “quase-causas”), pois os efeitos dependem de um contexto (unidade relativa ou uma misturas dos corpos) tanto quanto de suas causas reais. Ao fugir dessa relação infinita: causa-efeito (causa) – efeito (causa) – etc... salvaguarda a liberdade, justamente quando coloca na fórmula o contexto evitando, assim,  uma predeterminação ou um primeiro princípio, por exemplo. Por isso os Estóicos podem distinguir conceitualmente destino e necessidade. Essa distinção não será uma ruptura, caminharão juntas. Ao colocar o contexto nessa equação, sendo um fator inderteminante, produzirá um devir-louco, um devir ilimitado.

            Por último, o que é o verbo? É aquele que traduz esses acontecimentos incorporais, pois estes não atributos do ser, ou seja, uma ação Sendo um verbo é a linguagem que o controla, consequentemente, coloca limite nesses acontecimentos, porém é ela também que vai além desse limite ao prever o que acontecerá quando estamos situados no limite. A linguagem e o devir coexistem, pois a linguagem consegue compreender e ir além do limite. A superfície como limite.

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