terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Metafísica: Livro I - 1ª parte: A sapiência é conhecimento de causas

Todo homem é adapto ao saber mesmo que esse saber seja só pela via da sensação. Entre as sensações a mais privilegiada entre os homens é a visão, pois estas nos proporcionam a ação e a possibilidade de uma maior clareza entre os objetos, ou seja, conhecimento. Todos os animais possuem sensações, mesmo que alguns falte um ou outro. Mas o ser humano vai além das sensações, possuindo a arte e o raciocínio. Por essa arte podemos entender qualquer “produto” humano. Os homens, como alguns animais, possuem a capacidade da memória, mais só os homens conseguem tirar da memória uma experiência que vai além das sensações. Isso acontece quando, a partir da memória, o raciocínio, o intelecto, organiza os dados da memória, produzindo uma experiência estritamente humana. Doravante dessa experiência o homem foi capaz de produzir ciências e artes. Essa experiência é fundamental quando se trata da vida particular de cada homem. Tanto as artes como as ciências tendem ao universal, ou seja, depois que são estabelecidas como tais, apontam sempre para o geral, para o todo, para o Homem. É essa experiência que traz sua própria criação para o seio da terra, é ela que possibilita, por exemplo, que a medicina, com suas formulações gerais, trate de cada humano em sua especialidade. Temos que prestar atenção ao movimento: a experiência humana, que é particular, cria as artes e as ciências que são universais, concomitantemente, é a mesma que traz de volta aos humanos, agora capacitada para serem realmente uma condição humana por possuírem a possibilidade de servir a todos.
            Mesmo que seja a experiência a responsável pela regulamentação desse movimento, são as artes e as ciências que possuem os saberes. Há aqui a dicotomia entre os sábios – que possuem os saberes – e os trabalhadores – que possuem a experiência. Uma anedota: os sábios também possuem certa experiência mesmo que não seja uma experiência que o trabalhador manual terá. Mas Aristóteles, ao reconhecer o valor dessa experiência, ao comparar os homens que precisam usar de uma certa força com os homens que possuem os saberes, desvaloriza aqueles. A justificativa é: esses homens não sabem como/o porquê das coisas que eles aprenderam darem certo, ou seja, não possuem a teoria. Nas palavras de Aristóteles: não possuem os saberes conceitual e nem os conhecimento das causas. E por isso só podem ensinar através da experiência – Aristóteles nos diz que isso é impossível, mas não concordo –, enquanto os homens teóricos ensinam conceitualmente.

            Definição de sapiência para Aristóteles: é a pesquisa das causas primeira e dos princípios, ou seja, a metafísica. Os homens mais sábios serão aqueles que dominar a metafísica.

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