Todo homem é
adapto ao saber mesmo que esse saber seja só pela via da sensação. Entre as
sensações a mais privilegiada entre os homens é a visão, pois estas nos proporcionam
a ação e a possibilidade de uma maior clareza entre os objetos, ou seja,
conhecimento. Todos os animais possuem sensações, mesmo que alguns falte um ou
outro. Mas o ser humano vai além das sensações, possuindo a arte e o raciocínio.
Por essa arte podemos entender qualquer “produto” humano. Os homens, como
alguns animais, possuem a capacidade da memória, mais só os homens conseguem
tirar da memória uma experiência que vai além das sensações. Isso acontece
quando, a partir da memória, o raciocínio, o intelecto, organiza os dados da
memória, produzindo uma experiência estritamente humana. Doravante dessa experiência
o homem foi capaz de produzir ciências e artes. Essa experiência é fundamental
quando se trata da vida particular de cada homem. Tanto as artes como as ciências
tendem ao universal, ou seja, depois que são estabelecidas como tais, apontam
sempre para o geral, para o todo, para o Homem. É essa experiência que traz sua
própria criação para o seio da terra, é ela que possibilita, por exemplo, que a
medicina, com suas formulações gerais, trate de cada humano em sua
especialidade. Temos que prestar atenção ao movimento: a experiência humana,
que é particular, cria as artes e as ciências que são universais,
concomitantemente, é a mesma que traz de volta aos humanos, agora capacitada
para serem realmente uma condição
humana por possuírem a possibilidade de servir a todos.
Mesmo que seja a experiência a
responsável pela regulamentação desse movimento, são as artes e as ciências que
possuem os saberes. Há aqui a dicotomia entre os sábios – que possuem os
saberes – e os trabalhadores – que possuem a experiência. Uma anedota: os sábios
também possuem certa experiência mesmo que não seja uma experiência que o
trabalhador manual terá. Mas Aristóteles, ao reconhecer o valor dessa experiência,
ao comparar os homens que precisam usar de uma certa força com os homens que
possuem os saberes, desvaloriza aqueles. A justificativa é: esses homens não
sabem como/o porquê das coisas que eles aprenderam darem certo, ou seja, não
possuem a teoria. Nas palavras de Aristóteles: não possuem os saberes conceitual
e nem os conhecimento das causas. E por isso só podem ensinar através da experiência
– Aristóteles nos diz que isso é impossível, mas não concordo –, enquanto os
homens teóricos ensinam conceitualmente.
Definição de sapiência para Aristóteles:
é a pesquisa das causas primeira e dos princípios, ou seja, a metafísica. Os
homens mais sábios serão aqueles que dominar a metafísica.
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