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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A Metafísica: Livro I - 2ª parte: Quais são as causas buscadas pela sapiência e as características gerais da sapiência

Entendendo a sapiência como a metafísica, quais são as suas causas e seus princípios? O conhecimento dessa sapiência não é comum a todo homem, por isso difere do conhecimento sensível, mas é um conhecimento que tem em si todas as ciências. Não é um conhecimento do particular, mas do universal. Pois busca as causas de cada ciência e não uma aplicação particular. Para Aristóteles há ciências e ciências. Umas requerem maior sapiência do que outras. Aquelas são escolhidas, segundo as palavras do autor, por si mesmas e unicamente pelo saber; estas são escolhidas por aquilo que delas deriva.
Essas ciências que possuem um maior grau de sapiência são as mais difíceis por estarem distante das sensações, e são as mais exatas, mais verdadeiras por estarem mais próximos dos primeiros princípios. Outra característica desse nivelamento entre as ciências é: os que conseguem chegar mais na profundeza dos universais, ou seja, os que possuem menos princípios são superiores àqueles que possuem mais princípios. Pois estes necessitam de princípios ulteriores de si mesmos, ou seja, buscam princípios de outras ciências; já aquelas são superiores, pois, ao precisarem de menos princípios, estarão mais próximos do primeiro universal.

Por isso, logicamente, para Aristóteles, a ciência que mais se aproxima desse primeiro princípio, que é a metafísica, está mais adapta a ensinar. A metafísica, chamada de sapiência por Aristóteles, por está mais próximo do grande universal, é também o que tem um maior grau de cognoscíveis e que possui, por excelência, um fim em si mesmo. Tanto para Aristóteles, quanto para Platão, quanto mais conhecimento mais próximo do bem e a metafísica, por si mesma, é aquela que pode chegar ao sumo bem. O sumo bem é a características de Deus e este o possui em altíssimo grau, além disso, o sumo bem é a busca da metafísica, pois aquele não se separa deste na medida em que o primeiro princípio é a causa do sumo bem. Logo, a metafísica é uma ciência divina e está na base de todas as outras ciências.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A Metafísica: Livro I - 1ª parte: A sapiência é conhecimento de causas

Todo homem é adapto ao saber mesmo que esse saber seja só pela via da sensação. Entre as sensações a mais privilegiada entre os homens é a visão, pois estas nos proporcionam a ação e a possibilidade de uma maior clareza entre os objetos, ou seja, conhecimento. Todos os animais possuem sensações, mesmo que alguns falte um ou outro. Mas o ser humano vai além das sensações, possuindo a arte e o raciocínio. Por essa arte podemos entender qualquer “produto” humano. Os homens, como alguns animais, possuem a capacidade da memória, mais só os homens conseguem tirar da memória uma experiência que vai além das sensações. Isso acontece quando, a partir da memória, o raciocínio, o intelecto, organiza os dados da memória, produzindo uma experiência estritamente humana. Doravante dessa experiência o homem foi capaz de produzir ciências e artes. Essa experiência é fundamental quando se trata da vida particular de cada homem. Tanto as artes como as ciências tendem ao universal, ou seja, depois que são estabelecidas como tais, apontam sempre para o geral, para o todo, para o Homem. É essa experiência que traz sua própria criação para o seio da terra, é ela que possibilita, por exemplo, que a medicina, com suas formulações gerais, trate de cada humano em sua especialidade. Temos que prestar atenção ao movimento: a experiência humana, que é particular, cria as artes e as ciências que são universais, concomitantemente, é a mesma que traz de volta aos humanos, agora capacitada para serem realmente uma condição humana por possuírem a possibilidade de servir a todos.
            Mesmo que seja a experiência a responsável pela regulamentação desse movimento, são as artes e as ciências que possuem os saberes. Há aqui a dicotomia entre os sábios – que possuem os saberes – e os trabalhadores – que possuem a experiência. Uma anedota: os sábios também possuem certa experiência mesmo que não seja uma experiência que o trabalhador manual terá. Mas Aristóteles, ao reconhecer o valor dessa experiência, ao comparar os homens que precisam usar de uma certa força com os homens que possuem os saberes, desvaloriza aqueles. A justificativa é: esses homens não sabem como/o porquê das coisas que eles aprenderam darem certo, ou seja, não possuem a teoria. Nas palavras de Aristóteles: não possuem os saberes conceitual e nem os conhecimento das causas. E por isso só podem ensinar através da experiência – Aristóteles nos diz que isso é impossível, mas não concordo –, enquanto os homens teóricos ensinam conceitualmente.

            Definição de sapiência para Aristóteles: é a pesquisa das causas primeira e dos princípios, ou seja, a metafísica. Os homens mais sábios serão aqueles que dominar a metafísica.